O Ubuntu 26.04 "Resolute Raccoon" saiu ontem. LTS significa suporte de cinco anos — é a versão que a maioria das pessoas deveria usar, e a que a maioria das empresas vai adotar.

Se você está no Ubuntu 24.04, chegaram dois anos de melhorias de uma vez. Algumas são cosméticas. Outras vão mudar como você usa o sistema no dia a dia.


O que você vai notar primeiro

Nautilus até 10x mais rápido

O explorador de arquivos é onde a maioria das pessoas passa boa parte do tempo. No 26.04, ele recebeu uma reescrita de performance significativa: abertura de pastas até 5x mais rápida, geração de miniaturas até 10x mais rápida.

Mas não é só velocidade. Chegaram também:

  • Busca com filtros por tipo e período (com calendário).
  • Arquivos ocultos com transparência — fácil distinguir do resto.
  • Arquivo recortado com borda pontilhada, pra você não esquecer o que estava movendo.
  • Ctrl + ponto abre o terminal na pasta atual.

Essa última é a favorita de quem usa o terminal com frequência.

Notificações agrupadas por app

Antes, cinco mensagens no Telegram = cinco notificações separadas empilhadas. Agora aparecem agrupadas por aplicativo. Você expande o grupo pra ler cada uma, ou dispensa tudo com um clique. Simples, mas faz muita diferença no dia a dia.


GNOME 50

O Ubuntu 26.04 estreia com o GNOME 50 — um salto de quatro versões em relação ao GNOME 46 presente no 24.04. As melhorias são acumuladas de todas as versões intermediárias (47, 48, 49 e 50):

  • Componentes centrais consomem menos CPU e memória.
  • Renderização mais responsiva em hardware mais antigo.
  • Gravação de tela acelerada por hardware (desde o GNOME 47).
  • Diálogo de seleção de arquivos renovado, agora baseado no próprio Nautilus — com busca e filtros avançados.
  • Janelas de diálogo se adaptam melhor a monitores pequenos.
  • Gerenciamento de cores atualizado para o padrão mais recente do Wayland.

Visual renovado — sem exagero

Nada de redesign radical. Mas vários detalhes que fazem diferença:

  • Ícones de pasta novos e coloridos, seguindo a cor de destaque do sistema (o laranjão clássico do Ubuntu por padrão).
  • Animações com efeito de mola — menus e janelas aparecem com mais vida, em vez do fade antigo. Parece mais responsivo.
  • Tela de bloqueio agora mostra controles de música. Sem precisar desbloquear pra pausar a faixa.

Tela Ubuntu


Sete aplicativos novos

Essa é uma das maiores mudanças visíveis. O Ubuntu trocou vários apps padrão por versões mais modernas:

AntigoNovoO que muda
EvincePapersAnotações, marcação à tinta e assinaturas em PDF
Eye of GNOMELoupeGestos touch, corte e rotação de imagens
GNOME TerminalPtyxisAbas, perfis, suporte a containers — e barra vermelha quando sudo está ativo
System MonitorResourcesGráficos maiores, layout mais limpo
TotemShowtimePlayer de vídeo sem distrações
Security CenterCentral de segurança: Ubuntu Pro, chaves de criptografia e permissões de snaps
SysprofFerramenta de análise de performance (para desenvolvedores)

Atenção importante: se você atualizar sem formatar, os apps novos e os antigos ficam instalados juntos. Você vai ter dois terminais, dois visualizadores de imagem etc. Não é um bug — pode ir removendo os antigos com calma depois.


Novidades que valem atenção

sudo em Rust, com asteriscos: o comando sudo foi reescrito em Rust, o que melhora a segurança contra falhas de memória. E finalmente mostra asteriscos enquanto você digita a senha. Pequeno detalhe, mas quem nunca ficou na dúvida se o teclado estava funcionando?

Limite de carga da bateria: notebooks com suporte ganham uma opção em Configurações > Energia para limitar a carga em 80%. Ótimo para preservar a bateria no longo prazo. Se o seu hardware não suporta, a opção simplesmente não aparece.

Bem-estar digital: painel de controle de tempo de tela nas Configurações. Dá pra definir limites diários, ativar escala de cinza quando atingir o limite e configurar lembretes de pausa. Parece besteira até você passar oito horas seguidas na frente do computador.

APT mais bonito: a saída dos comandos no terminal ficou colorida, com colunas e espaçamento melhor. Chegaram também dois comandos novos: apt why e apt why-not, que explicam por que um pacote está ou não instalado. Útil pra resolver conflitos de dependência sem arrancar os cabelos.

HDR e VRR nativos: se seu monitor suporta, os toggles estão em Configurações > Monitores. O suporte a HDR nos apps ainda é limitado, mas pelo menos chegou ao sistema.

Kernel Linux 7.0: o número mudou mais por questão de numeração do que por revolução. Na prática, são 12 versões de kernel desde o 24.04, com suporte a hardware mais novo e correções de segurança.


Fim do X11

O Ubuntu 26.04 não tem mais sessão X11. O GNOME removeu o suporte de vez.

Para 99% dos usuários: não muda absolutamente nada. O Wayland já é o padrão há anos. Aplicativos que dependem do X11 continuam funcionando via XWayland — uma camada de compatibilidade incluída por padrão, completamente invisível para o usuário.


O que sumiu

Nem tudo sobreviveu à atualização. O app Software e Atualizações foi removido da instalação padrão — ainda é instalável pelos repositórios, mas não vem mais por padrão. A integração com o Google Drive via GNOME também foi removida. Se você usava isso, as alternativas mais práticas são o Insync, o rclone ou simplesmente o navegador.


Vale a pena atualizar?

Se você está feliz no Ubuntu 24.04, sem pressa: ele recebe atualizações de segurança até 2029.

Mas se o Nautilus mais rápido, os apps novos, as notificações agrupadas ou o limite de bateria chamaram sua atenção — a atualização vale.

Para atualizar, instale todas as atualizações pendentes pelo Software Updater e depois execute no terminal:

sudo do-release-upgrade

Faça backup antes. E se der a opção, uma instalação limpa costuma ser mais rápida e menos problemática do que atualizar por cima.


Página oficial de download: ubuntu.com/download/desktop